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Bugios voltam para Florianópolis após mais de dois séculos

Extintos na ilha catarinense há cerca de 260 anos, os bugios-ruivos ganham uma nova chance em Floripa, com primeira soltura de três indivíduos

Duda Menegassi·
12 de janeiro de 2024

Mais de dois séculos depois de serem dizimados pela caça e pelo desmatamento, os bugios estão de volta nas florestas da ilha de Florianópolis, em Santa Catarina. São poucos ainda, por ora, apenas três indivíduos: Sem Cauda, Ranhento e Ruivo. Dois machos e uma fêmea, todos adultos. Uma família que, após uma longa jornada de reabilitação em cativeiro, tem a chance de voltar para as matas. A soltura dos bugios, iniciativa liderada pela Silvestres SC para recuperar a espécie na ilha catarinense, ocorreu nesta quinta-feira (11) no Parque Estadual do Rio Vermelho. 

Estima-se que os bugios-ruivos (Alouatta guariba), nativos da Mata Atlântica, foram extintos na ilha catarinense há cerca de 260 anos, quando foi feito o último registro conhecido da espécie na ilha. 

A diretora do Silvestres SC, Vanessa Tavares Kanaan, adianta que mais cinco solturas de bugios-ruivos já estão previstas para o primeiro semestre do ano. Outras duas famílias serão soltas no parque estadual, situado no norte da ilha, e três irão na direção oposta, e serão reintroduzidas no Monumento Natural Municipal Lagoa do Peri, no sul de Florianópolis.

Momento em que um dos bugios, batizado Sem Cauda, sai do recinto de aclimatação em direção à floresta. Foto: Daniel de Granville/Silvestres-SC

O objetivo maior é que os bugios restabeleçam uma população viável no longo prazo na ilha e que o seu retorno recupere certas interações ecológicas perdidas com a extinção do primata.

O caminho de volta dos bugios da Mata Atlântica em ‘Floripa’ culmina agora com a soltura do primeiro grupo na floresta, mas essa é uma história que não começou hoje.

Antes de voltar à floresta, o trio passou por mais de 4 anos de reabilitação, onde fizeram dezenas de exames clínicos e veterinários e aprenderam habilidades comportamentais importantes para sobreviver na natureza. Além disso, os macacos foram vacinados contra a febre amarela, doença letal para os bugios. Na reta final pré-soltura, passaram cerca de um mês num recinto de aclimatação, para se adaptar à floresta que agora podem chamar de lar.

Os animais estavam no Centro de Triagem de Animais Silvestres de Santa Catarina (CETAS-SC), localizado dentro do próprio Parque Estadual do Rio Vermelho, gerido pelo Instituto de Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA-SC). Sua verdadeira origem, entretanto, é incerta. “Quando eu assumi a gestão do CETAS, em 2019, esses animais já estavam lá e já eram adultos. Só o que sabemos é que são todos de Santa Catarina. E eles passaram por um longo período de reabilitação para termos certeza que eles atendiam os critérios sanitários, ambientais e de genética. Somente os que atenderam a todos os critérios foram selecionados para soltura”, explica Vanessa Kanaan.

A porta do recinto de aclimatação aberta convida os bugios a se aventurarem de novo na natureza em liberdade. Foto: Daniel de Granville/Silvestres-SC

O trabalho com os bugios soltos ainda não acabou. A diretora conta que a expectativa é monitorá-los por, no mínimo, os próximos três anos. Para acompanhar os macacos na floresta a equipe do projeto contará com cinco estratégias: busca ativa, armadilhas fotográficas, drones e gravadores de áudio, e, por último, através da ciência cidadã. “Contamos com a colaboração das pessoas ao ver e ouvir esses animais quando fizerem trilhas em Florianópolis, que mandem esse relato para nós”, destaca Vanessa.

  • Duda Menegassi

    Jornalista ambiental especializada em unidades de conservação, montanhismo e divulgação científica.

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