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Nova espécie de bromélia é descoberta na Paraíba

Botânico encontrou nova espécie no Parque Estadual da Pedra da Boca, fronteira com o Rio Grande do Norte. Planta só ocorre no local

Daniele Bragança·
5 de outubro de 2012·11 anos atrás
Tillandsia paraibensis, plantada longe de seu ambiente natural para a realização de estudos taxonômicos.

A riqueza da flora na região de transição entre os biomas Caatinga e da Mata Atlântica é ainda pouco conhecida. É lá, num rochedo localizado dentro do Parque Estadual da Pedra da Boca, uma unidade de conservação estadual localizada no município de Araruna, na Paraíba, que o botânico Ricardo Ambrósio Soares de Pontes coletou pela primeira vez, em 2004, uma espécie incomum do gênero Tillandsia, da família das bromélias. Quase 8 anos depois, a nova bromélia, denominada Tillandsia paraibensis, foi descrita na última edição da Rodriguésia, a revista do Jardim Botânico do Rio de Janeiro.

AT. paraibensis vive na rocha nua a pleno sol e sem nenhum acúmulo de substrato, ou seja, não precisa de terra ou outro tipo de nutrientes para sobreviver. Esta planta é de difícil floração, o que dificultou a confirmação da espécie.

“Após um exaustivo trabalho de taxonomia (identificação), visitando coleções locais e nacionais, artigos científicos e consultas a outros especialistas, decidi descrever em 2010 esta nova espécie, que foi submetida para a publicação em 2011 e publicada em 2012”, disse Pontes, em entrevista por e-mail ao ((o)) Eco.

A primeira coleta da bromélia foi feita em 2004, quando Pontes desenvolvia seu projeto de mestrado pela Escola Nacional de Botânica Tropical do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, e percebeu estar diante de uma nova espécie.

O botânico Ricardo Pontes (de camisa vermelha) e o escalador profissional Júlio Castelliano se preparam para coletar a espécie em seu ambiente natural. Foto: divulgação.

Até o momento, a nova espécie só foi encontrada neste complexo de afloramentos rochosos, sendo considerada uma espécie microendêmica  só ocorre neste local.

“Esta descoberta é extremamente importante para a conservação desta área natural, onde apenas espécies altamente adaptadas conseguem sobreviver. Demonstra que a área é rica em biodiversidade e é ainda pouco conhecida. Outras espécies podem ser descobertas” explica Pontes.

AT. paraibensis já faz parte do acervo de plantas vivas do Jardim Botânico de João Pessoa e, quem tiver interesse, pode ir lá conhecê-la.

Ricardo Pontes trabalha como assessor técnico da Secretaria de Meio Ambiente do Município de João Pessoa e é consultor ambiental da área florística do Centro de Pesquisas Ambientais do Nordeste (CEPAN), em Recife (PE).

*Editado em 08//10/2012 – às 11h40

  • Daniele Bragança

    Repórter e editora do site galapagos jogos, especializada na cobertura de legislação e política ambiental.

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Comentários2

  1. Fabianodiz:

    Em Itapipoca/CE e Uruburetama/ CE também tem.


  2. Mêdsondiz:

    Aqui em Quixadá Ceará também tem essa espécie, nas pedras do açude cedro